Posted by José Eduardo on May 16, '07 11:17 PM for everyone

Redação feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE  (Universidade Federal de Pernambuco - Recife), que venceu um concurso  interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática  Portuguesa.

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         "Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se  encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto  plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o  artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda  novinha, mas  com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco  átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios  de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O 
substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem  ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se  insinuar, a perguntar, a conversar.

         O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu  esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá  dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar  alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses,  quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer,  sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua  flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e  ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica,  bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato  com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando  ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando 
seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo,  todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.

         Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele  sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão  minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam  nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula ele não 
perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo.

         É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava  totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois  gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos,  carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais:  ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo  do objeto, ia tomando conta.

         Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular,  ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o  pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.  Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício.  Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos 
dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições,  locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa  acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu  seus advérbios e declarou o seu particípio na história.

         Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma  metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou, e  mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não  era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando  dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do  sujeito apontado para seus objetos.

         Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do  substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma  mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de  um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria  com um complemento verbal no artigo feminino.

         O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo  indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar  um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu  conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais  fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção  coordenativa conclusiva".


tetraktys wrote on May 17, '07
kkkkkk engenhosa e divertida.
marciamalmstrom wrote on Jun 7, '07
Muito divertida... :-)
Adorei!
marcosloku wrote on Jun 10, '07
Olá amigo Eduardo, tudo bem? Obrigado por sua amizade com este LOKO, valeu mesmo!

Sobre este seu post deveras legal, digo que li no site da amiga Vera Helena. De lá eu postei o link no meu para outros amigos irem ver. Muito foram. Também copiei para minha irmã que é professora!

1 abç


Marcos
thsvianna wrote on Jun 12, '07
Pois é, meu amigo Jedux, ( nosso qiue difícil chamá-lo assim, rsrrs), essa redação é o máximo e como disse o nosso amigo marcos a Vera tb postou, e muitos irão copiar pq é bom.
Quanto ao seu comentário das fotos da festa da Marina, realmente estámos todos muito sérios, mas faltava vc ao nosso lado para nos animar como antigamente, rsrsrs, beijos
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